quarta-feira, 27 de março de 2013

SOBRE A ÁGUA


VIDA MESQUINHA (by Marcos Delgado)

Amesquinhou-se-lhe a vida.
Longa vida amesquinhada.
Desde cedo encurtada a vista.
O horizonte tão perto,
tão distante o além.

SOBRE A ÁGUA QUE CORRE (by Marcos Delgado)

Aquele que pisa a água
não a maltrata,
aconchega-se nela.
Tal como em água fresca
em dia quente.
Tal como em água quente
Em noite fria.
Tal como,
Tal bebo.
Água que se bebe,
que se banha,
que se apanha na mão.
Sem maltratá-la, a água.
Água que escorre no corpo
E que fica na alma.

HORIZONTE DE ÁRVORES (by Marcos Delgado)

Uma barreira de árvores
limita meu horizonte.
Mas minha visão vai além.
No pouso do pássaro,
na ponta da árvore mais alta.
Rogo a ele que veja por mim.
Não!
Não quero que me arranquem as árvores,
para que eu possa ver depois delas.
Depois delas só restariam a devastação e a ausência ...
de árvores ...
de pássaros ...
de horizontes ...
de sonhos ...
que me fazem ver muito mais além.

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