quinta-feira, 28 de março de 2013

Para ela, para mim, para tudo...


ESCREVI PRA VOCÊ

(para
Selma,
meu amor.
14/08/2012)

Escrevi na Parede,
Para tecer uma rede,
De palavras,
De amor,
Que te pesque, que te prenda,
Numa teia de renda,
Numa meia de seda,
Numa poção que se beba,
Numa emoção.

Tecerei redes
De palavras,
De amor,
Para pescá-la, prendê-la
Numa tênue teia de seda,
Teia de aromas tênues, em que se embebede,
Numa poção que me transforme,
Numa emoção em que se entregue.

SINTO-ME TRISTE

Sinto-me triste.
Sim.
Tome tristeza.
Zás!
Uma brisa,
Uma aragem
Se fez passar em mim,
Dentro de mim,
No coração.
Percebi-me só e triste.
Triste de não ter fim.
Sim.
Sinto-me assim.
Qual poema vulgar
De rimas banais,
Que logo será esquecido.
N’algum lugar,
Num canto,
Perdido.
Na gaveta,
No caderno,
Escondido.
Foi-se a inspiração,
Ficou só, a tristeza,
Que a brisa fria trouxe ...
E deixou ...
No meu coração.

MEU PESADELO

Quero a tortura de sonhar com ela.
Quero sentir, em meu peito, bater de novo.
Quero meu sangue jorrando dos pulsos.
Quero eternizar o momento,
Da noite,
do sonho,
da morte.

quarta-feira, 27 de março de 2013

SOBRE A ÁGUA


VIDA MESQUINHA (by Marcos Delgado)

Amesquinhou-se-lhe a vida.
Longa vida amesquinhada.
Desde cedo encurtada a vista.
O horizonte tão perto,
tão distante o além.

SOBRE A ÁGUA QUE CORRE (by Marcos Delgado)

Aquele que pisa a água
não a maltrata,
aconchega-se nela.
Tal como em água fresca
em dia quente.
Tal como em água quente
Em noite fria.
Tal como,
Tal bebo.
Água que se bebe,
que se banha,
que se apanha na mão.
Sem maltratá-la, a água.
Água que escorre no corpo
E que fica na alma.

HORIZONTE DE ÁRVORES (by Marcos Delgado)

Uma barreira de árvores
limita meu horizonte.
Mas minha visão vai além.
No pouso do pássaro,
na ponta da árvore mais alta.
Rogo a ele que veja por mim.
Não!
Não quero que me arranquem as árvores,
para que eu possa ver depois delas.
Depois delas só restariam a devastação e a ausência ...
de árvores ...
de pássaros ...
de horizontes ...
de sonhos ...
que me fazem ver muito mais além.

terça-feira, 26 de março de 2013

POEMAS DE VIDA


POEMAS MORTOS (by Marcos Delgado)

Deixei tantos poemas
abandonados, aqui e ali,
que o tempo os desbotou,
a vida os esmaeceu,
e eles morreram.
Por não mais sentirem-se meus.

VIDA (by Marcos Delgado)

De que me vale a vida,
se não sei como vivê-la?
De que me vale a vela,
se o que desejo é fogaréu,
explosão nova no céu.
De que me vale a vida,
se não sei fazer poesia?
Se não sei sentir como se a fazia.

O desejo na pele ardente,        
o sabor do suor,
entre a língua e o dente.
De que me vale a vida,
mesmo uma vida severina,
se a teia que teço sozinho
estende-se para o vazio caminho?
E a estrada é longa,
sem curva ou esquina.
A vida me vale nada.
A vida me vale tudo.
Vivo-a, mesmo quando parada.
Ouço-a, mesmo quando mudo.

...

Como estará o poeta? Para saber, que tal um pouco de Guardanapos de Papel com Milton Nascimento...
Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=SV8Z_PETFZg. Acesso em 26/03/2013.



segunda-feira, 25 de março de 2013

Do meu amor serei


COMPARTILHADOR (by Marcos Delgado)

Dor sentida só,
é ampliada.
Dor compartilhada
é só sentida
na justa medida.

PAIXÃO (by Marcos Delgado)

Matei a paixão,
porque doeu demais.
E agora?
Só fiquei com a dor.

DO MEU AMOR SEREI (by Marcos Delgado)

O que, ao meu amor, atento serei?
De tudo, um?
De um, tudo?
De tudo, todos?
De todos, tudo?
E que nada sobre, de tudo que atento serei.
Do meu amor serei.

domingo, 24 de março de 2013

Saudade


MULTIVERSOS (by Marcos Delgado)

Amor te persegue
Quem te sentimento tem.
Sulca ao norte da alma,
Desnorteia o sul do corpo também.

DE TUDO QUE MEU AMOR ME DÁ (by Marcos Delgado)

Nunca te dei uma flor ...
Mas você é o Sol que me aquece e guia.
Nunca te levei pra jantar ...
Mas você é a terra que me sustenta.
Nunca bebemos vinhos ...
Mas você é a água que me sacia a sede e refresca a alma.
Você fez brotar em mim
a flor do amor,
que eu dou,
toda,
todo,
tudo,
pra você,
sempre.

MEU BEM! (by Marcos Delgado)

Quando eu me for, meu bem,
quando for a hora,
penses em mim como aqui e agora.
Penses em nós e no amor que te tenho,
e no que tu me tens.
Sinta a inevitável dor da saudade.
Regue meu rosto com tuas lágrimas.
Beije minha boca,
feche meus olhos,
e diga: “Adeus, meu bem!”

Poemas para uma bela tarde...


SEM TEMPO (by Marcos Delgado)

Tanto tempo que poesia não faço.
Falta-me a paixão que tal arte exige.
Tanto tempo por paixão não passo.
Nem mesmo por uma que se finge.

TANTO QUERER TANTO (by Marcos Delgado)

Por que tanto querer, Deus meu?
Por que tanto querer, aos outros, eu?
Por que querer tanto, eu, ser querido?
Por que ser ido, sem ser sabido, ficado, sentido?

DESCENDÊNCIA (by Marcos Delgado)

Se filhos meus aparecessem,
o que lhes poderia deixar de herança?
Minha miséria? Minha fortuna? Minha sina?
O que, tal herança, ensina?
A miséria: a humildade.
A fortuna: a esperança.
A sina: a paciência.
E o meu coração entristecido?
O que, de mim, mostra?
Como me mostra?
Miserável ...
Desafortunado ...
Sem paciência,
sem esperança,
sem humildade.

sábado, 23 de março de 2013

Claro-escuro


CLARO-ESCURO (by Marcos Delgado)

Eu queria uma vontade de viver.
Um motivo, uma causa, um amor ...
Viver para além dos astros visíveis,
Anos-luz daqui.
Ser escuridão ...
prenhe de luz.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Poemas para o outono...


DECISÃO (by Marcos Delgado)

Decidi,
por medo,
passar incólume pela vida.
Se medo matasse,
Teria sido breve.
O sofrimento e a vida.
Mas medo não mata.
Atrofia.
Conserva,
no sofrimento,
ávida,
a vida.