quarta-feira, 17 de abril de 2013

Voo poético!!


(DES)ANIMO (by Marcos Delgado)
(1998)
 
Não tenho mais alma.
A negociei com o inominável
Para aplacar meu rancor
Desejei, desesperadamente, ser querido.
Desejei que sentisse minha falta.
Desejei que sofresse com minha ausência.
Ofereci minh’alma como paga.
Não soube se alcancei o desejado
Num momento de fúria e de dor.
Mas isto não importa mais.
Perdi.
A vida e o tempo,
Desejando.
Não fiz o que a vida e o tempo me permitiam.
Não percebi que a vida e o tempo passavam lentamente,
Rápido demais.
Perdi a alma,
Que agora vaga, penada.
Só me resta a carcaça de um corpo que espera
O tempo passar
E a vida ir.

POEMA DO ACASO (by Marcos Delgado)
(1998)

Lembro que há tempos,
Fiz um verso que dizia
Como os poemas se fazem ao acaso
Do término da linha.
A rima não vem, como
Queria, mas a frase se engrandece
E a linha termina.
É preciso por ponto ou vírgula?
E o próximo verso?
Se não rimar?
Se não encontrar apropriada palavra?
Que seja!
Na ausência de vocabulário,
Sinônimos ou metáforas,
Faço versos tristes e vazios,
Sem rima,
Sem medida.
Faço versos sem moral,
Sem final.
Nada quero dizer
Nada sei para dizer algo.
Apenas faço versos.
E o final da linha será o meu algoz.

AVIÕES (by Marcos Delgado)

Só vejo o sentido do pouso
Pelas luzes no céu escuro.
Escuto o som,
Visualizo a trajetória,
A velocidade, a aceleração.
Parece parado no ar,
Prestes a despencar.
Ah! Como é bom chegar
Se alguém nos espera!
É melhor partir,
Quando se precisa deixar para trás
As mágoas da vida.
Quem vem lá? Quem vai lá?
Por que não me vê?
Quem lhe espera?
Quem lhe chora?
Quem se importa?
Ou se exporta
Para nunca mais.

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