O TOQUE DO SILÊNCIO DO TOQUE (by Marcos Delgado, participação de Selma Amaral)
(1998)
O silêncio vem se fazendo aos poucos,
Depois de ansiosa e confusa explosão
De fogos, vozes, gritos e festas.
O Big-Bang se reproduz, comprovando a teoria.
A explosão se fez luz.
E a luz se fez silêncio.
O verbo só veio mais tarde,
Depois da razão,
Sem razão alguma,
Só. Para tumultuar.
Pois faça-se o caos,
Para que o silêncio retorne.
Talvez possamos matar a razão,
Sufocá-la ainda no nascedouro.
Talvez, sem o verbo,
A emoção do corpo possa fluir.
E a humanidade se redimir pelo tato.
Toquemo-nos, pois,
E façamos a revolução do gesto,
Do corpo,
Da pele,
Do sexo.
Por que nos ensinaram a falar?
Por que nos ensinaram a dançar?
FAZER UNI(CO)VERSO (by Marcos Delgado)
(1998)
Queria poder voltar a fazer versos,
Mesmo que sem rimas, ritmo ou métrica.
Queria apenas expressar o que sinto,
E me sentir feliz
Quando conseguir transcriar,
Em palavras, os sentimentos
Que tumultuam meu peito.
Sou um acelerador de partículas
De sentimentos, que correm à velocidade da luz
E se chocam confusas,
Criando sentimentos fugazes.
Quero poder explodir,
Em luz e calor,
A energia que se forma em mim.
Ah! Um verso!
Eis o sentimento da explosão que a tudo criou.
Um único verso!
Queria ser o poeta-deus que o criou.
POESIA DA DOR DO AMOR (by Marcos Delgado)
(1998)
Já saíram alguns poemas antes deste.
Há muito que não os faço
Já os fiz às centenas,
Mas os dei para ela guardar.
Ela levou consigo meus poemas e minha poesia,
E hoje não os escrevo mais.
Ela levou não só minha poesia,
Mas tudo o que sentia.
E hoje já não sinto mais.
A beleza do amor se fez dor
A pureza do amor se fez rancor.
Meu coração se amargurou e emudeceu.
A caneta pesa entre meus dedos
E já não consigo esgrimar com as palavras.
Pouco adianta implorar às musas e aos poetas.
Versos, já não consigo mais fazer.
Já se vão alguns poemas novos.
Será que me curei da dor do amor?