sábado, 27 de abril de 2013

Onde estás verso?


ANOS (by Marcos Delgado)

Imagem de Ester Rodrigues
Não morri aos vinte e tantos.
Fiquei pra velho.
Também não vivi tanto,
Porque amei de mais uma vez.
E tanto tempo já se foi desde os meus vinte e tantos.
Tantos outros vinte não vividos

Que, velho, hoje,
Percebo que morri.
Um tanto antes dos vinte.

POR UM VERSO (by Marcos Delgado)

Um verso!
Dê-me um verso!
Alguém qualquer,
qualquer coisa que é.
Venha verso
Salvar-me a vida,
Que de morte se vai ...
Morrida.
Um verso só
Que me faça companhia,
Me acalante e me acalme.
Que se faça só
Poesia.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O ÍNDIO

19 de Abril



Eles povoavam todo o território americano. Conheciam tudo, os animais, os peixes, as plantas... Eram milhões.
Foram mortos, massacrados, humilhados.
Disponível em
 http://educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/a-trajetoria-dos-indios-cancao-tamoio.htm.
Acesso em  19/04/2013
Restaram poucos.

Agora, são acusados de querer o que sempre foi deles.
A terra.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Poemas e Raios (fogo e paixão)


FECUNDO RAIO (by Marcos Delgado)

Explode em mim,
Disponível em
http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/raios.htm.
 Acesso em 19/04/2013
Dentro de mim,
Maravilhoso raio.
Permanece brilhando
Na minha retina.
Transparente, branco, saboroso.
Escorre em meu corpo,
Pelo meu sangue,
Em minha alma.
Alimenta-me de vida nova
E energia.
Quero sugar e sorver
A força que vem de você.
Jato que toma conta de mim
E me mata de prazer.
Espera e fecunda
A terra, a água, o ar,
O fogo que trago em mim.
Fecunda-me meu raio.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Voo poético!!


(DES)ANIMO (by Marcos Delgado)
(1998)
 
Não tenho mais alma.
A negociei com o inominável
Para aplacar meu rancor
Desejei, desesperadamente, ser querido.
Desejei que sentisse minha falta.
Desejei que sofresse com minha ausência.
Ofereci minh’alma como paga.
Não soube se alcancei o desejado
Num momento de fúria e de dor.
Mas isto não importa mais.
Perdi.
A vida e o tempo,
Desejando.
Não fiz o que a vida e o tempo me permitiam.
Não percebi que a vida e o tempo passavam lentamente,
Rápido demais.
Perdi a alma,
Que agora vaga, penada.
Só me resta a carcaça de um corpo que espera
O tempo passar
E a vida ir.

POEMA DO ACASO (by Marcos Delgado)
(1998)

Lembro que há tempos,
Fiz um verso que dizia
Como os poemas se fazem ao acaso
Do término da linha.
A rima não vem, como
Queria, mas a frase se engrandece
E a linha termina.
É preciso por ponto ou vírgula?
E o próximo verso?
Se não rimar?
Se não encontrar apropriada palavra?
Que seja!
Na ausência de vocabulário,
Sinônimos ou metáforas,
Faço versos tristes e vazios,
Sem rima,
Sem medida.
Faço versos sem moral,
Sem final.
Nada quero dizer
Nada sei para dizer algo.
Apenas faço versos.
E o final da linha será o meu algoz.

AVIÕES (by Marcos Delgado)

Só vejo o sentido do pouso
Pelas luzes no céu escuro.
Escuto o som,
Visualizo a trajetória,
A velocidade, a aceleração.
Parece parado no ar,
Prestes a despencar.
Ah! Como é bom chegar
Se alguém nos espera!
É melhor partir,
Quando se precisa deixar para trás
As mágoas da vida.
Quem vem lá? Quem vai lá?
Por que não me vê?
Quem lhe espera?
Quem lhe chora?
Quem se importa?
Ou se exporta
Para nunca mais.

sábado, 13 de abril de 2013

O toque do silêncio...


O TOQUE DO SILÊNCIO DO TOQUE (by Marcos Delgado, participação de Selma Amaral)
(1998)

O silêncio vem se fazendo aos poucos,
Depois de ansiosa e confusa explosão
De fogos, vozes, gritos e festas.
O Big-Bang se reproduz, comprovando a teoria.
A explosão se fez luz.
E a luz se fez silêncio.
O verbo só veio mais tarde,
Depois da razão,
Sem razão alguma,
Só. Para tumultuar.
Pois faça-se o caos,
Para que o silêncio retorne.
Talvez possamos matar a razão,
Sufocá-la ainda no nascedouro.
Talvez, sem o verbo,
A emoção do corpo possa fluir.
E a humanidade se redimir pelo tato.
Toquemo-nos, pois,
E façamos a revolução do gesto,
Do corpo,
Da pele,
Do sexo.
Por que nos ensinaram a falar?
Por que nos ensinaram a dançar?

FAZER UNI(CO)VERSO (by Marcos Delgado)
(1998)

Queria poder voltar a fazer versos,
Mesmo que sem rimas, ritmo ou métrica.
Queria apenas expressar o que sinto,
E me sentir feliz
Quando conseguir transcriar,
Em palavras, os sentimentos
Que tumultuam meu peito.
Sou um acelerador de partículas
De sentimentos, que correm à velocidade da luz
E se chocam confusas,
Criando sentimentos fugazes.
Quero poder explodir,
Em luz  e calor,
A energia que se forma em mim.
Ah! Um verso!
Eis o sentimento da explosão que a tudo criou.
Um único verso!
Queria ser o poeta-deus que o criou.

POESIA DA DOR DO AMOR (by Marcos Delgado)
(1998)

Já saíram alguns poemas antes deste.
Há muito que não os faço
Já os fiz às centenas,
Mas os dei para ela guardar.
Ela levou consigo meus poemas e minha poesia,
E hoje não os escrevo mais.
Ela levou não só minha poesia,
Mas tudo o que sentia.
E hoje já não sinto mais.
A beleza do amor se fez dor
A pureza do amor se fez rancor.
Meu coração se amargurou e emudeceu.
A caneta pesa entre meus dedos
E já não consigo esgrimar com as palavras.
Pouco adianta implorar às musas e aos poetas.
Versos, já não consigo mais fazer.
Já se vão alguns poemas novos.
Será que me curei da dor do amor?

quinta-feira, 4 de abril de 2013

POESIA, SENTIMENTO, VIDA


FOGO QUE AFOGA

Tanto desejo sepultado em vida,
Tanta vida desejada e não vivida.
Qual vulcão adormecido que queima nas entranhas,
Qual fogo que resiste na brasa.
Não consigo explodir.
Sufoco a cada dia.
Afogo o meu coração.

PARA ELA

Rabisque no céu enegrecido
A luz que rouba um dia
De um instante distraído da noite.
Cegue meus olhos, que já não veem.
Acende em meu peito, de novo, o fogo da vida.
Traz de volta a força da alma, que já me deixou.
Abala meus tímpanos
Com o som seco que ecoa a distâncias.
Faça-me dançar,
Faça-me tremer.
Queime minha carne,
Beba meu sangue.
Ofereça-me em sacrifício,
Para acalmar teus encantos.
Encante-me.
Ate-me e desate-me.
Jogue-me pelo espaço infinito.
Faça-me eterno no tempo presente.
Depois ...
Satisfeita sua fúria ...
Desaba em lágrimas sobre mim.
Inunda meu corpo com teu prazer e tua dor.
Dá-me o prazer divino de ser possuído por ti.

ORAÇÃO DA NOITE DE ANO NOVO
(1997/1998)

No céu da minha janela
Verei espoucar o brilho fugaz
Do ano novo que vem
Alimentar a ilusão do
Calendário e do horário,
Desfazendo os sonhos de uma realidade possível.
Queria estar em lugar nenhum,
Vivendo uma real vida feliz.
Mas, no céu da minha janela,
Vejo a solidão do mundo
Explodir em algazarra.
Só não vejo as pessoas humanas.
O céu da minha janela
Dividi, com fios elétricos, postes, telhados e antenas de TV, a minha visão.
As estrelas dos fogos
A custo superam os obstáculos das alturas
E logo se fazem cadentes.
Mas nada adianta pedir.
Os desejos só se realizam para aqueles que creem.
Eu já não creio mais.
Mas imploro, às forças da natureza,
Que me levem daqui.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Poemas sem fim...


ESCURO (by Marcos Delgado)

No escuro traço linhas
Cujo sentido se encontram no funda da minh’alma.
Não preciso de olhos para sentir.
Preciso de luz.
Da luz que se apagou do meu olhar.
Da chama que se apagou do meu peito.

ESTRELAS QUE SE APAGAM (by Marcos Delgado)

As estrelas que se apagam no céu,
Reproduzem a escuridão do meu olhar.
Meus lábios escondem o sorriso.
Meu semblante enrugado,
Imita o que vai no meu coração.
Ah! Meu coração!
Tanta dor que lhe doeu!
Tanta tristeza que sentiu!
Tanto desamor que lhe secou!

EXORTAÇÃO (by Marcos Delgado)

Escurece, oh dia!
Para fazer par com minh’alma.
Venha, oh noite!
Que seja infinda.
Traga-me o sono, o sonho
E a morte calma

GUERRAS PERDIDAS (by Marcos Delgado)

Oh! Flor do céu!
Lua cândida e pura!
Perde-se a vida, quando se ganha a batalha contra o amor!
Ganha-se a vida, quando se perde!