quarta-feira, 29 de maio de 2013

Aqui e Ali...

QUERO LEVAR COMIGO (by Marcos Delgado)

Quero levar,
Para além daqui, 
Lá, ali, acolá,
Aquém, antes, qualquer lugar,
O que de precioso trago em mim.
Não sei como vou levar,
Pois é tanto, é muito,
Que chega a transbordar pelos lados,
Pelas bordas, cantos, poros.
É tão leve que flutua,
Evapora e vai-se embora,
Ocupar os espaços do ar,
De além da gravidade.
Vou levar comigo o tanto que tenho.
Vou dar de presente, doar,
Ofertar, oferecer, deixar pegar.
Quero que as pessoas levem consigo
Um tanto, um teco, um pouco,
O bastante para serem felizes,
Muito para se fartarem.
O tanto que ficar comigo
bastará e sobrará
Para compartilhar com outros.
O que tenho de precioso em mim
É algo assim ...
Que não sei bem o que é ...
Que me faz sorrir à toa,
Faz brilhar os olhos
Acelera o coração.
O que tenho de precioso
É vida, desejo, paixão,
Que explode e cria universos
Inteiros, todos, cada parte.

domingo, 5 de maio de 2013

Queimando versos


QUEIMANDO VERSO (by Marcos Delgado)


Quero queimar a minha poesia
Na chama que se apagou no meu peito.
Quero que deuses e forças da natureza,
Juntem-se e façam com que retorne
Em combustão espontânea ou atritada,
O fogo da minha vida,
Que apaguei.
Prometeu!
Ajuda-me a roubar, de novo, o velho fogo dos deuses!
Alquimistas!
Socorrei-me!
Misturem elementos, declamem fórmulas e mantras!
Universo!
Acelera sua entropia
Que gela dentro de mim,
Que me transforma em buraco pleno de vazio,
E explode de calor.
Aquece! Meu coração.
Faz frio ...
Tremo ...

sábado, 27 de abril de 2013

Onde estás verso?


ANOS (by Marcos Delgado)

Imagem de Ester Rodrigues
Não morri aos vinte e tantos.
Fiquei pra velho.
Também não vivi tanto,
Porque amei de mais uma vez.
E tanto tempo já se foi desde os meus vinte e tantos.
Tantos outros vinte não vividos

Que, velho, hoje,
Percebo que morri.
Um tanto antes dos vinte.

POR UM VERSO (by Marcos Delgado)

Um verso!
Dê-me um verso!
Alguém qualquer,
qualquer coisa que é.
Venha verso
Salvar-me a vida,
Que de morte se vai ...
Morrida.
Um verso só
Que me faça companhia,
Me acalante e me acalme.
Que se faça só
Poesia.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O ÍNDIO

19 de Abril



Eles povoavam todo o território americano. Conheciam tudo, os animais, os peixes, as plantas... Eram milhões.
Foram mortos, massacrados, humilhados.
Disponível em
 http://educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/a-trajetoria-dos-indios-cancao-tamoio.htm.
Acesso em  19/04/2013
Restaram poucos.

Agora, são acusados de querer o que sempre foi deles.
A terra.


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Poemas e Raios (fogo e paixão)


FECUNDO RAIO (by Marcos Delgado)

Explode em mim,
Disponível em
http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/raios.htm.
 Acesso em 19/04/2013
Dentro de mim,
Maravilhoso raio.
Permanece brilhando
Na minha retina.
Transparente, branco, saboroso.
Escorre em meu corpo,
Pelo meu sangue,
Em minha alma.
Alimenta-me de vida nova
E energia.
Quero sugar e sorver
A força que vem de você.
Jato que toma conta de mim
E me mata de prazer.
Espera e fecunda
A terra, a água, o ar,
O fogo que trago em mim.
Fecunda-me meu raio.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Voo poético!!


(DES)ANIMO (by Marcos Delgado)
(1998)
 
Não tenho mais alma.
A negociei com o inominável
Para aplacar meu rancor
Desejei, desesperadamente, ser querido.
Desejei que sentisse minha falta.
Desejei que sofresse com minha ausência.
Ofereci minh’alma como paga.
Não soube se alcancei o desejado
Num momento de fúria e de dor.
Mas isto não importa mais.
Perdi.
A vida e o tempo,
Desejando.
Não fiz o que a vida e o tempo me permitiam.
Não percebi que a vida e o tempo passavam lentamente,
Rápido demais.
Perdi a alma,
Que agora vaga, penada.
Só me resta a carcaça de um corpo que espera
O tempo passar
E a vida ir.

POEMA DO ACASO (by Marcos Delgado)
(1998)

Lembro que há tempos,
Fiz um verso que dizia
Como os poemas se fazem ao acaso
Do término da linha.
A rima não vem, como
Queria, mas a frase se engrandece
E a linha termina.
É preciso por ponto ou vírgula?
E o próximo verso?
Se não rimar?
Se não encontrar apropriada palavra?
Que seja!
Na ausência de vocabulário,
Sinônimos ou metáforas,
Faço versos tristes e vazios,
Sem rima,
Sem medida.
Faço versos sem moral,
Sem final.
Nada quero dizer
Nada sei para dizer algo.
Apenas faço versos.
E o final da linha será o meu algoz.

AVIÕES (by Marcos Delgado)

Só vejo o sentido do pouso
Pelas luzes no céu escuro.
Escuto o som,
Visualizo a trajetória,
A velocidade, a aceleração.
Parece parado no ar,
Prestes a despencar.
Ah! Como é bom chegar
Se alguém nos espera!
É melhor partir,
Quando se precisa deixar para trás
As mágoas da vida.
Quem vem lá? Quem vai lá?
Por que não me vê?
Quem lhe espera?
Quem lhe chora?
Quem se importa?
Ou se exporta
Para nunca mais.